Artigo escrito por nossa colaboradora
Viviane Gurfinkel Fonoaudióloga
Em um mundo que se torna cada vez mais acelerado e digital, é necessário ter cuidado para que a tecnologia não substitua por completo
práticas que estimulam o desenvolvimento cognitivo.
Escrever à mão é um processo ativo que ativa e integra múltiplas áreas do cérebro, tais como áreas motoras, parietais, visuais e linguísticas. Cada
letra exige um padrão motor específico, associado à sua forma gráfica. Além disso, o cérebro conecta ideias com organização do pensamento de forma
mais efetiva. Atenção, memória e compreensão são alguns dos benefícios ocultos em escrever à mão. Ao dedicar tempo a esse processo, as pessoas
podem se reconectar com seus pensamentos e emoções, algo essencial para manter o equilíbrio mental e emocional.
Na digitação, a letra não é construída manualmente, mas de forma automática e superficial, sem nos determos aos detalhes. O que ocorre é o pressionamento de uma tecla previamente associada a um caractere. A transcrição é literal, o que limita o processamento crítico da informação. A ativação neural concentra-se em circuitos relacionados ao mapeamento espacial teclado-dedo, memória de trabalho e organização sequencial.
São modalidades que compartilham bases linguísticas, mas apresentam padrões distintos de organização funcional do cérebro.
Apesar dos múltiplos benefícios da escrita à mão, é cada vez mais frequente o uso de dispositivos eletrônicos e da digitalização na educação. A
escrita manual é uma forma de expressão única: cada um tem o seu estilo e nela reflete sua personalidade.
