Com muita alegria damos as boas-vindas a Maria Lúcia Mastropasqua, Dra. em Metodologias Ativas e Mestre em Interdisciplinaridade, que junta-se ao time de Consultoria Pedagógica da AB+.
Leitura para equipe pedagógica por Maria Lúcia Mastropasqua
PNE – Plano Nacional de Educação – 2024/2034
Planejando a próxima década
Dentre as 20 metas descritas no PNE 2024/2034, com vistas à busca pela
qualidade da educação, destaco a meta 19, que trata da gestão
democrática na educação. O texto Em busca de uma gestão participativa,
abaixo, visa oferecer uma pequena contribuição sobre a importância de
uma gestão democrática nas escolas.
Meta 19 – assegurar condições, no prazo de dois anos, para a
efetivação da gestão democrática da educação, associada a critérios
técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à comunidade
escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio técnico
da União para tanto.
Em busca de uma gestão participativa
Com foco na gestão escolar, Lück (2000, 2002) nos auxilia a compreender as
atribuições de um gestor escolar na criação de um ambiente e cultura participativos.
Lück acredita que algumas das ações especiais precisam se buscadas, na
tentativa de se criar um ambiente estimulador de participações da comunidade
escolar. São elas:
- criar uma visão de conjunto associada a uma ação de cooperativismo;
- promover um clima de confiança;
- valorizar as capacidades e aptidões dos participantes;
- associar esforços, quebrar arestas, eliminar divisões e integrar esforços;
- estabelecer demanda de trabalho centrada nas idéias e não nas pessoas;
- desenvolver a prática de assumir responsabilidades em conjunto.
As competências de um diretor de escola e suas responsabilidades vão além da mera administração centralizadora e técnica. A atenção deve estar focada
na liderança em uma atuação integrada e cooperativa de todos os participantes da
escola, na promoção de um ambiente educativo e de aprendizagem, orientado por elevadas expectativas, estabelecidas coletivamente e amplamente compartilhadas.
Retomo uma das citações da autora que muito nos auxilia a refletir sobre o papel
desafiador do dirigente escolar:
“Os dirigentes de escolas eficazes são líderes, estimulam os professores e
funcionários da escola, pais, alunos e comunidade a utilizarem o seu potencial
na promoção de um ambiente escolar educacional positivo e no
desenvolvimento de seu próprio potencial, orientado para a aprendizagem e
construção do conhecimento, a serem criativos e proativos na resolução de
problemas e enfrentamento de dificuldades”.
A função de um gestor escolar representa uma das mais importantes atividades no
que se refere à educação, na construção, no conhecimento, no crescimento e no
desenvolvimento de uma sociedade, o que leva à necessidade de uma competência na ação pedagógica-administrativa.
Diante da multiplicidade de ações do dia a dia, tornam-se necessárias tomadas de
decisões que, se socializadas com os demais integrantes da comunidade escolar, contribuem para se atingir as metas e objetivos institucionais e pedagógicos, que foram traçados e acordados por todos.
Em uma gestão democrática, o caminho é o diálogo, visando a uma construção social e histórica que, ampliada para o aluno, cria raízes fortes na formação do ser humano, tornando-o um cidadão autônomo e ético. As trocas de atividades docentes mobilizam o grupo a socializar suas práticas, na construção de posturas de cumplicidade e de respeito mútuo, com foco no binômio teoria e prática.
Em seu livro Qual é a tua obra? , o professor Cortella reflete sobre a
importância de sermos um líder em sala de aula que inspira e anima os educandos em um trabalho no qual está validada a diferença das atividades que cada um realiza.
Sinergia significa “força junto”. E, nesse sentido fazer “força junto” obriga a olhar o
outro como outro, e não como estranho.
Num mundo que muda com velocidade, se
eu não olhar o outro como fonte de conhecimento para mim, independentemente de onde ele veio, de como ele faz, do modo como ele atua, eu perco uma grande chance de renovação.
O que é um grupo? Freire (2003) traz a reflexão sobre o significado da constituição de um grupo de diretores, coordenadores, professores e grupo-classe na relação professor-aluno, valorizando a história de cada um, seus “ mundos internos, suas projeções”. Em linguagem poética nos revela que a vida de um grupo tem:
- Alegria, riso aberto, contentamento, folia, concentração.
- Medo, dor, choro, conflito, perdição, desequilíbrio, hipótese falsa, pânico.
- Entendimento, diferenças, desentendimento, briga, busca, conforto.
- Silêncios, fala escondida, berro, fala oca, fria, fala mansa.
- Generosidade, escuta, olhar atento, pedido de colo.
- Ódio, decepção, raiva, recusa, desilusão.
- Amor, bem querer, gratidão, afago, gesto amigo de oferta.
(FREIRE, 2003, p.25)
Em essência, nossa tarefa maior é o fazer conjunto, em um investimento pessoal e
grupal, colocando em movimento a dinâmica das relações interpessoais a serviço da
produção conjunta, concretizando, dessa forma, os objetivos que foram estabelecidos
pelo grupo.
Nada se constrói sozinho, e é na interação com o outro que se processa a construção
do conhecimento, onde se estabelecem vínculos, cumplicidade, na perspectiva de
estarmos continuamente aprendendo.
Referências Bibilográficas
- BRASIL. Ministério da Educação. Projeto de Lei nº 2614, de 2024. Institui o Plano
Nacional de Educação para o decênio 2024-2034 e dá outras providências. Brasília:
MEC, 2024. Disponível em: http://pne.mec.gov.br/programas -metas Acesso em 3
março de 2026.
- CORTELLA, Mario Sergio. Qual é a tua obra?:i nquietações propositivas sobre gestão,
liderança e ética. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009 - FREIRE, M. O que é um grupo? IN FREIRE, M. (Org.). Grupo – Indivíduo, Saber e
Parceria: malhas do conhecimento. 3ª ed. São Paul: Espaço pedagógico, 2003 - LÜCK, Heloisa. (Org.). Gestão escolar e formação de gestores. Em Aberto, v. 17, n.72,
p. 1-195, fev./jun. 2000. - __ et al. A escola participativa: o trabalho do gestor escolar. Rio de janeiro: DP&A
editora, 2002.
