Por Tânia Ruivo, Consultora Pedagógica e Educadora Parental na AB+
Os jogos da Copa começaram e, com eles, uma avalanche de emoções invade as nossas casas. É fascinante observar como o esporte desperta ações, crenças e uma esperança quase cega na vitória, antes mesmo de sabermos qual será o resultado final em campo. Torcer e crer fazem parte do jogo.
É natural que as crianças escolham seus ídolos — aquele jogador que detém a maior admiração e em quem depositam a expectativa de ver o time campeão. No esporte, na arte ou nos estudos, ter referências que inspiram, exemplificam e motivam a sonhar é fundamental para o desenvolvimento dos jovens.
O perigo do contágio e a intolerância
No entanto, como adultos e educadores, precisamos ter cuidado para não deixar o clima de torcida inflamar o ambiente de forma negativa. É o momento exato para ensinar que a rivalidade não pode se transformar em briga, e que o desejo de ver a própria opinião prevalecer não deve “passar por cima” da competência alheia só para ganhar.
Claro que a derrota desperta tristeza, raiva e decepção. Esses sentimentos são legítimos e vão aflorar. O erro reside em nos deixarmos enganar, desejando que o nosso time triunfe mesmo sem merecimento, ou pior: instigar e inflamar torcidas para guerrearem entre si por pura vaidade ou teimosia.
A elegância de lidar com a frustração
Existe algo profundamente elegante e digno de nota na capacidade de lidar com a frustração. Como mentores da próxima geração, nosso papel é ensinar os jovens a observar, valorizar e até parabenizar quem vence pelo desempenho real, e não pelo “escarcéu”. A quem, naquele momento, jogou melhor e mereceu o troféu.
Ao agirmos com essa justiça, damos o exemplo máximo àqueles por quem somos responsáveis. Mostramos que só devemos tirar o chapéu para quem joga limpo, recusando-se a trapacear ou a festejar um sucesso que não foi conquistado com talento, esforço e dedicação real.
