Artigo escrito por Tânia Ruivo, consultora pedagógica da AB+
Como falar de ansiedade sem considerar a sua ligação estreita com o tempo?
Vivemos hoje em um ritmo acelerado. Um tempo em que parece que não temos mais tempo para as pequenas sutilezas da vida, como observar as formigas carregando suas folhas, esperar a onda do mar chegar para poder pular, ou aguardar a chuva cair apenas para sentir o cheiro da terra molhada exalar.
Perdemos a calma de degustar um bolo quentinho que acabou de sair do forno — aquele processo que exige uma necessária espera para crescer e assar.
Antigamente, abríamos e fechávamos a panela de pressão para verificar o cozimento do feijão. Muitas vezes era preciso mais um tempinho para, finalmente, degustar o sabor do que era bem feito. O café coado e o pão quentinho deixavam um perfume no ar e concretizavam uma certeza: a de que a família já nos esperava à mesa para sentar ao lado, conversar e cultivar a maior beleza… Um verdadeiro tempo de riqueza!
Uma Oração ao Tempo
Tudo isso me lembra a belíssima música de Caetano Veloso, Oração ao Tempo:
“Vou te fazer um pedido / Para fazer um acordo contigo… / Compositor de destinos!”
Essa letra é uma reflexão poética sobre a enfermidade da vida e a aceitação da passagem dos dias em busca da sabedoria. E, hoje, essa enfermidade muitas vezes se manifesta em forma de ansiedade.
Na origem da palavra em latim, ansiedade significa apertar, sufocar, estreitar.
Diante disso, cabe a pergunta: o que estamos sufocando? A vida? Os sentimentos? As possibilidades? Ou as boas experiências bem vividas e construídas que nos remetem às nossas melhores memórias afetivas?
O que significa “Ansiar a Idade”?
Se fôssemos traduzir o sentimento moderno, eu definiria a ansiedade como o ato de “ansiar a idade”. É o desejo constante de estar sempre no futuro, mesmo sem entender, acolher e viver o hoje de verdade.
Significa se imaginar a todo momento em outra situação, focando apenas nas conquistas que ainda faltam maturar para alcançar. E, com isso, deixamos o maior presente da vida passar.
Quando silenciamos o agora, corremos o risco de não curtir, não viver, não conviver e não aproveitar o que realmente importa. É preciso desacelerar para permitir que nossas crianças — e nós mesmos — vivam cada etapa no seu próprio tempo.
Gostou dessa reflexão?
A infância e o desenvolvimento escolar exigem paciência, escuta e respeito ao tempo de cada indivíduo. Se você sente que seu filho precisa de apoio para acolher o momento presente e evoluir nos estudos com leveza e segurança, conheça o trabalho de apoio especializado da Aprende Bem Mais.
