Artigo escrito por Professor Ismael Rocha, especialmente para o blog da Aprende Bem Mais.
Os dados divulgados pelo IBGE nesta semana trazem uma notícia que merece ser reconhecida: o Brasil alcançou o menor índice de analfabetismo de sua história, chegando a 4,9%.
É um avanço importante. Um marco estatístico que demonstra a força de décadas de investimentos e políticas voltadas à ampliação do acesso à educação. Mas os números também nos lembram que ainda há muito trabalho pela frente.
O cenário além das estatísticas
Mesmo com a redução do índice, o país ainda convive com cerca de 9 milhões de pessoas analfabetas. E o desafio se torna ainda maior quando observamos o analfabetismo funcional: brasileiros que conseguem ler palavras e frases, mas encontram dificuldades para compreender, interpretar e utilizar informações no seu dia a dia. Hoje, aproximadamente 3 em cada 10 brasileiros estão nessa condição.
No entanto, o dado que mais chama a atenção está no Ensino Médio.
A pesquisa mostra que a evasão escolar cresce de forma significativa nessa etapa da educação. Cerca de 20% dos estudantes abandonam a escola antes de concluir o ciclo. Em outras palavras: de cada 10 jovens que ingressam no Ensino Médio, 2 não chegam ao final do 3º ano.
Por que os jovens estão abandonando a escola?
As razões são diversas. Entre elas, o aumento da gravidez na adolescência e, principalmente, um dado que merece profunda reflexão: cerca de 20% dos jovens afirmam abandonar os estudos por falta de interesse.
Quando um estudante perde o interesse pela escola, o problema não está apenas nele. É preciso questionar se aquilo que está sendo oferecido consegue dialogar com suas expectativas, desafios e projetos de vida.
“A educação do século XXI exige que coloquemos o estudante no centro das decisões.”
O real papel da educação hoje
Currículos, conteúdos, metodologias e bibliografias são fundamentais, mas devem funcionar como instrumentos para construir uma aprendizagem relevante, atual, envolvente e conectada com a realidade dos jovens.
Temos, sim, motivos para celebrar a redução do analfabetismo. Mas, ao mesmo tempo, precisamos olhar com urgência para os milhões de jovens que estão dentro das escolas sem se sentirem parte delas — e para aqueles que acabam desistindo no caminho.
A grande pergunta não é apenas quantos alunos conseguimos matricular. É quantos conseguimos inspirar a permanecer.
